Há pouco estava morto, a muito estava só. Hoje estou abandonado.
Abandonado das crenças e com pensamentos distantes, louco por desabafo e evolução, afobado por dizer algo, não digo bem. Assim apodreço de dentro para fora.
Não acho que chegara o inicio do fim, talvez, seja o fim do meu inicio. Meus caminhos se condenam e se questionam, meu ser torna-se mais limpo, mais ébrio, mais agudo.
Como um irritante som passo por estreitas fendas vazias, ocas de vida, ocas de sons. Grito só, na solidão de uma voz que nem eco tem. Por sorte grito só e sem ecos, assim ainda não fiz o que há de pior!
Gritando e esfregando em grandes paredões o vento se machucou e moldou essas muralhas amargas e inflexíveis. Aos poucos o que era uma fenda tornou-se caminho.
Dentro dessa gigantesca montanha existem milhares de fendas, cada uma a espera de um vento que a desvende, a desfigure, a questione. Eu sou um desses ventos, sou um dos poucos!
Outrora me pus de encontro com vários ventos: graves, lentos, perspicazes,…; tornaram-me mais forte, mais maduro, mais vivido, e menos só. Pois ventos passam e te alteram, te mutilam e te constroem; tudo depende do vento advindo - Prefiro os mutiladores, testam minha capacidade restauradora -, mas ventos passam…
Mutilei muitas brisas, alguns ventos, poucos morreram antes de me encontrar, entretanto a maioria me mutilara. Tiveram aqueles que se tornaram meus concorrentes, não os quero maior que eu! Por isso amo-os, por isso prezo-os, por isso tenho-os como objetivo, por isso vou sempre de encontro a eles!
Em busca de novos ventos estou, e de encontro dos velhos e fortes ventos estou.
Mas estes estão cada vez mais dispersos pela montanha, não vejo mais os velhos e os novos, estes sim, há anos não aparecem. Não estou mais só, fui abandonado. Talvez tenha arrancado pedaços demais deles, ou seus ventos não passem pelos mesmos caminhos que eu, às vezes eles fugiram da montanha, voltaram para onde não existem ventos só calmaria.
Parece que um fim chegara: o fim das confissões e das trocas, das críticas, das brigas; do que era mais bonito em ventos amigos. Ainda sim não saio das fendas, não saio da montanha, quero destrinchá-la até seu ultimo caminho. Desse modo me mutilo, me moldo, minha massa perpetua, ainda que meu coração compadeça.
por: Guilherme Habib