segunda-feira, 23 de junho de 2008

O ateísmo sem propósito

Hoje a quantidade de ateus cresce, e cresce de uma maneira jamais vista, hoje em muitos lugares é algo bonito ser ateu. Em principio essa noticia deveria ser boa, mas não sei se é tão simples quanto pareça esse processo de ateização da sociedade.

Antes um ateu não surgia por modismo, ser ateu significava dentre outras a capacidade de quebrar uma lógica moral que regia a sua vida, matar uma estrutura de crença que passa além da fé e que chega até os mais simples atos do cotidiano. Hoje o ateu que vejo é um ateu do capitalismo, é um “racionalista” da mídia, é um homem, ou um menino que descobre que acreditar na igreja católica é revoltante simplesmente porque teve aula de história, e por não sentir falta da religião não é católico e se diz ateu.

O termo ateísmo morre quanto maior fica.

Mas de todo mal que se projeta ainda se vê vantagem, o homem está provando aos Ateus verdadeiros que religião é algo desnecessário até para os viventes; O ateísmo da moda pode nos levar ao raciocínio: A igreja não foi procurada, mas sim imposta.*

Mesmo com a expansão do ateísmo o ceticismo não cresce com a mesma velocidade, provavelmente porque não é pensando pela massa. O estado de descrença evolui, normalmente, com o cientificismo ou com a filosofia, não com revolta ao dogmatismo. Além das formas como surge o anti-dogmatismo a dificuldade do pensar o próprio tema é um grande empecilho aos mundanos, de tal maneira surge uma estranha e desconexa criatura, o ateu dogmático.

Mas ainda existem as almas evoluídas de fato, os verdadeiros espíritos livre estão surgindo por todos os cantos, reflexo de uma conjuntura religiosa fraca, de maior acesso a informação, da liberdade de credos e ideologias e principalmente do contato com as outras culturas. Há esperança desde que os que as almas que estão pulverizadas pelo mundo permaneçam únicas e pensantes, e que nunca sejam como os assassinos do homem: pregadores, que sejam sempre aguçadores de almas, de almas propícias.

Ateus, ateus do mundo, verdadeiros ateus, sejamos aqueles que não se vêem como escolhidos, mas aqueles que se escolheram. Sejamos construtores da alma, mas não das almas perdidas, mas das nossas almas. Sejamos nós, nós mesmos. Sejamos nós Humanos, não os da terra, mas os de essência. Sejamos Ateus.

*Essa é uma visão simplista, uma especulação. Não considere tal como verdade absoluta.