sexta-feira, 31 de julho de 2009

Da história do conhecimento

Antes da existência de um novo homem, já temos os velhos, temos a encarnação da sociedade naqueles que a constituem hoje. Nela temos uma série de mecanismos criados pelo homem, conscientemente ou não, que determina a função, a posição e em grande medida o destino de cada um. Este fator determinante é ainda mais relevante com a morte de Deus; se “Deus está morto e foram os homens que mataram Deus”, torna-se o homem refém da matéria que possui, pois quando há homens que afastaram as necessidades sociais das matérias, destrói-se o mundo fora da matéria, já que o homem se reproduz em existência apenas pelos bens.

Com a sua evolução animal – ou seja, desprovida de racionalidade, de projeção e sim feita a partir de situações temporais, diretamente relacionadas com suas visões limitadas pelos seus predecessores – o homem moderno, filho do capital, matou Deus, por este não ser mais necessário; entretanto não matou por conta de sua razão, mas de sua irracionalidade existencial. Por conta de diversos acontecimentos históricos, por conta da ação individual, do racionalismo limitado, ou, da ignorância abissal humana. Conseguiu-se, assim, colocar o homem no céu, o homem no espaço, o homem no luxo material, o homem na miséria material, na miséria filosófica, na miséria existencial.

Não se assume, por outro lado, que somos seres ignorantes, seres inconscientes que agem movidos pelas nossas verdades, ou melhor, pelas verdades formadoras de cada indivíduo. Temos, portanto, seres vivos acéfalos com surtos constantes, porém inconsistentes, de racionalidade, por isso agimos num movimento de aprisionamento eterno, mesmo na morte de Deus.

Deus está morto, nossos ídolos não! Quando Deus foi assassinado brutalmente pelo capital, este não pôde deixar o homem livre em essência: o aprisionou nas suas violentas e demagógicas leis, que como uma bela religião aparece ao homem como este a deseja. Coube então aos homens, com poder, convencer a ignorância dos demais das suas verdades; constituíram-se assim novos ídolos, criados pelos homens de poder na sua cegueira temporal, sustentada pelo fetichismo que os liga ao que a sua vista é o homem – produto.

Frutos da inconsciência criam sua verdade e a expandem através de sua influência. Este é o movimento da mente histórica humana.

Agora resta ao homem libertar-se em essência, possibilitar o super-homem, para o qual deve manter Deus morto, deve depois matar todos os ídolos, deve se libertar da matéria em todos os sentidos; mas para isso é imprescindível que tenha ele acesso à roupa, à casa, ao alimento do corpo e da alma!

por: Guilherme Habib

31/07/09

Um comentário:

Unknown disse...

Ainda acho que você deveria trabalhar melhor os conceitos de racionalidade/irracionalidade. Acho que aí fica um ponto chave que pode mudar toda sua linha argumentativa. Ou nao. Mas de qualquer forma, é um ponto que vale a pena ser pensado. Em suma, o que é a racionalidade pra você. E dado que isso é uma discussao que vem desde os gregos (e bastante acalorada, diga-se de passagem), voce tem bastante material de pesquisa aí...