Tal sentimento que me remete na solidão está tão colado àquele da tristeza, os dois tênues, mórbidos, belos, puros, prodigiosos.
A solidão mãe maior do nosso encontro, da altivez, das possibilidades, do encontrar-se, do eterno retorno; mãe da liberdade de toda nossa essência e do desespero de todo nosso ego. Para quem nos pronunciaremos na solidão? Para quê nos pronunciaremos? Da primeira só resta à loucura, da segunda temos a nossa evolução, a nossa ganância intelectiva.
A tristeza suprema detentora da beleza, da dor, da angustia, da insensatez. Proviria dela nosso movimento, nossa inquietação, nosso ir a ser. Por que procuramos fugir da tristeza? Para superar o belo, para movimentarmos, para encontramos algo, para termos possibilidades, para sermos algo.
Porque da tristeza tem-se a solidão, porque da solidão tem-se a tristeza, porque em ambas temos a nós, como seres evoluidores, angustiados, expandidores.
por: Guilherme Habib
4 comentários:
eu concordo que a solidão é um momento frutífero para o crescimento, o auto-conhecimento e a criatividade, mas duvido muito que haja uma real satisfação na tristeza, como a apontada. Sim, ela movimenta uma evolução, um confronto próprio, e de certa forma nos atemos à ela como uma 'fonte', mas eu não creio que haja, como posso dizer, uma ''nobreza'' na tristeza, e sim uma miséria, uma melancolia, uma dor irritante e ruim, que nos torna mais doídos e mais críticos do mundo, e é isso que nos impulsiona para frente. a tristeza em sim não é bela nem honrosa, mas a sensibilidade que tiramos dela é que a torna tão humana e produtiva.
Onde está a miséria da tristeza?
Não sei se ela deixa de ser bela e honrosa, dependerá do que crer ser belo e honroso...
Talvez seja belo o espírito que nos impulsiona como homens, mesmo se ele for "uma dor irritante e ruim".
Não é a tristeza a detentora da sensibilidade que tiramos dela? Ela não é a sua geradora? Ela não tem seu mérito?
Todas as misérias do mundo são forças "impulsionadoras" para as artes, para quem quer fazer uma diferença, para a poesia, para o ativismo, para todas as atividades de melhoria da alma e da vida humana, e nem por isso elas são honráveis. Seja isso as desgraças amorosas, ou guerras mundiais, conflitos localizados, genocídios, pobreza, ou seja a tristeza comum do dia-a-dia, mesmo que ela não seja grande, ou não seja fruto de uma grande desgraça ou de um sentimento comunitário de mudança. Toda tristeza é uma fonte produtiva, e parte essencial da nossa vida. Não vivemos sem ela, a melancolia faz parte do nosso pensamento racional, da análise do nosso mundo, do crescimento pessoal. A tristeza tem o seu mérito pelo o que ela é capaz de provocar em nós, pelo questionamento, pelo trabalho de pensar, e rever, e mexer conosco, mesmo que seja universal ou particular. Mas eu realmente não creio que a tristeza é bela, por si só, apesar de poder nos parecer bela. Ficou confuso?
Fiquei confuso não! =P
Concordo com que você disse, mas considerar ela bela ou não, isso é questão de sentimento, não de razão.
O sentimento de tristeza em si, para mim tem sua beleza, como prova Vinícius de Moraes, e todos aqueles que fizeram dela arte.
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