É uma resposta direta à nossa realidade, a produção intelectual humana. Nos tempos atuais, salta aos olhos como o desenvolvimento científico está subjugado ao poder do capital.
Para se ter acesso aos bens materiais necessários à vida, ou aos luxos idealizados como necessários pelo capital, tem-se que I) ter capital ou II) vender sua força de trabalho.
Se o indivíduo tem capital, sofre influência direta das leis da concorrência, logo deve ele organizar-se, ou trabalhar em função do lucro. Para tal, submete seu intelecto e seu tempo aos desejos do gestor das relações humanas de nossa época.
Se o indivíduo é desprovido de capital, tem que trabalhar em função dos objetivos deste, ou seja, a fim de que a instituição gere o maior lucro possível, logo, o indivíduo, desprovido de autossuficiência, tem de gastar seu tempo e sua energia em função do que o mercado exige.
O homem não é, portanto, de todo limitado a gerar riqueza material, dinheiro, mas é encaminhado de corpo e alma a ir nessa direção.
Por conseqüência, a produção intelectual humana é uma resposta direta à nossa realidade social.
Infelizmente, o lucro nem sempre anda no caminho do verdadeiro conhecimento. Muitas vezes ele obriga o indivíduo a buscar a aparência funcional, não o conhecimento absoluto. Nem sempre o capital trata a ciência geral como a trata a física, que deve buscar o que há dentro da matéria, em seu âmago. Por vezes, ele busca apenas a função óbvia, ou a função que gera riqueza para um determinado capital, tal como faz com as ciências sociais modernas, ou com o tecnicismo da engenharia, ou medicina.
Diversos campos do conhecimento se encaminham cada vez mais para a morte, até mesmo aqueles que se tem como os descobridores do homem, tal como as ciências humanas. Estas ainda andam em direção à morte, pois o homem ainda manipula o capital por amor à razão ou amor ao homem, mantendo vivos esses amores.
Por isso, ainda é possível fazer filosofia, porque há no homem ainda o caminho para o super-homem.
Mas aos homens que desejam se superar como homens, há sempre a tarefa de I) ludibriar os valores estipulados pelo capital, II) conseguir ver para além da aparência, ou seja, ludibriar sua maneira primária de ver o mundo, maneira essa fortemente glorificada pela ação do capital, III) ter os meios materiais necessários para se manter vivo, ou seja, vender-se em parte ao capital, ou achar um local no mundo onde este e nenhuma força como esta lhe obrigue a produzir em função de algo externo ao homem, IV) ter acesso ao conhecimento humano passado, pois não é tarefa para uma vida superarmos o homem, precisamos da acumulação intelectual existente, V) ter plena consciência de si como homem, VI) ter liberdade intelectual absoluta.
por: Guilherme Habib
23/09/09
Um comentário:
"ter acesso ao conhecimento humano passado, pois não é tarefa para uma vida superarmos o homem"
sem dúvida alguma
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